Norma I. C. Melhorança, especialista em psicologia clínica, atende na V. Olímpia e em Perdizes em SP – 011-98748-7554.
Morte de Mandela: perda ou ganho
Quando éramos crianças, século passado dos idos anos 50, meu pai prevendo a irrupção da chuva, levava os quatro filhos (a caçula ainda não havia nascido) para construir pontes, diques e barragens de cimento com a finalidade de proteger formigueiros da enxurrada certeira que logo, logo desaguaria e acabaria com o lar duramente por elas construído. Meus irmãos (2) eram tidos como estranhos pelos outros moleques da redondeza habituados a matar passarinhos com seus estilingues, em casa era simplesmente proibido. Brincar de mocinho x bandido, nem pensar – só se fosse sem o revolver que era a grande graça da brincadeira. Todo cachorro sarnento de rua ao se aproximar da casa era imediatamente recolhido e tratado (acabava quase sempre sendo adotado, engrossando consideravelmente o numero extenso de bicharada que conosco conviviam). Na época ninguém havia falado ou soubesse o que era ecologia ou ecológico, não havia sequer um nome, uma palavra que denominasse o gesto destas poucas pessoas, bem poucas por sinal, que estivessem preocupadas com a dor e o sofrimento dos bichinhos, nosso pai era uma dessas pessoas sensíveis sobremaneira ao sofrimento impingido pela natureza e pelos homens a estes “seres de Deus”, como dizia: - tão frágeis e vulneráveis à perversidade e crueldade dos humanos. Nosso pai não foi nenhuma pessoa conhecida e renomada, nenhum ícone ou personagem famoso, foi um homem comum e um “soldado anônimo” na luta contra a crueldade que eram tratados os animais, no entanto sua vida e morte inconscientemente ajudou na grande e transformadora mudança que ocorreu neste ultimo século. Tudo o que está descrito até aqui não causa mais nenhum espanto, não é mais nenhuma novidade, hoje neste século – dez/2013, a postura sensível e doce do meu pai frente aos bichos não é mais solitária, exclusiva ou única, tornou-se natural e a coletividade responde de forma genuína como meu pai a 60 anos atrás fazia, tornou-se normal as pessoas se condoerem frente a um cão de rua maltratado e sarnento, comum na TV assistirmos emocionados o salvamento pelo bombeiros do cãozinho se afogando ou soterrado. Os estilingues tornaram-se objetos bizarros do século passado. Já o mesmo não se pode dizer dos revolveres que hoje são vistos inclusive como “inocentes” frente às sofisticadas armas futuristas que nossas crianças habilmente manipulam, são presenteadas e divertem-se com a brincadeirinha de “matar” o outro ser humano, igualzinho a si mesmo - no entanto, tudo se passa no imaginário da criança, é nada, se for comparado à realidade de matar de fato um alegre, meigo e inocente pássaro.
Se formos nos ater à Teoria do Inconsciente Coletivo de Carl G. Jung, podemos intuir e deduzir que “nossas vidas possuem uma direção, um sentido individual, o qual tem a propriedade de acrescentar, engrossar ou ainda transformar o grande mar do inconsciente coletivo no qual estamos todos mergulhados. Como a aranha que tece através da saliva suas teias, nós todos em nosso silêncio e sofrimento pessoal tecemos com nossas lágrimas e em nossa alma, a grande alma cósmica do mundo, a evolução e transformação do inconsciente coletivo, como diz a musica “Redescobrir” do Gonzaguinha: “tudo principia na própria pessoa”. Exemplo vivo e recente disso foi Nelson Mandela, seu sofrimento foi principalmente tecido em seus solitários dias nos 27 anos de prisão que foi submetido. Sua vida – o sentido dela era a completa e total indignação quanto à discriminação do ser humano por outro ser humano em função de alguma diferença, ditado pelo preconceito racial, onde uma minoria branca governava discriminatoriamente a maioria negra de seu país. Quando indagado, respondeu que se necessário fosse morreria por esta causa, fim do apharteid - igualdade absoluta de todo ser humano independente da cor, a completa total e consciente não discriminação do outro, seja ele quem e como for.
Meus pais tiveram em algum momento da vida um aviário – o que era motivo de muita briga, afinal para um defensor da vida e do não sofrimento dos bichos, era uma incongruência engrossar a entrada financeira com o pagamento da Perdigão e da Sadia, criando os pintinhos amarelinhos, lindinhos que recém-nascidos chegavam ainda com a casca grudada na cabeçinha formando um mar de pintinhos, mais ou menos, em torno de um quarteirão para em 40 dias serem abatidos. Eram lindinhos de se ver, no entanto, quando entre eles, aparecia um estranho, um diferente – um pintinho de angola, ou um pintinho caipira aqueles docinhos amarelinhos simplesmente abriam espantados uma arena circular se afastando e em seguida, em conjunto todos voltavam e atacavam o pobre infeliz, matando aquele diferente deles. Portanto deduzimos que a discriminação é reflexa, instintiva, animal, próprio do irracional.
Somente extinguiremos a discriminação pela consciência, quando tomo consciência que tenho tal preconceito, quando vivo na própria pele a discriminação que o outro me impinge, aí paro para “pensar” e reflito sobre a bestialidade dos preconceitos – discriminação.
Mandela viveu a dor da discriminação na pele e teceu em sua vida e morte (dentro de sua alma), uma luta no sentido de ampliar e transformar a consciência de cada um de nós, a vida dele foi consagrada à imortalidade. Com a sua morte nasce um novo arquétipo, portanto, surgiu uma nova estrela em nosso céu. Mandela atendeu e cumpriu completamente “para que veio”. Assim sendo, sua vida tecida com muito sofrimento foi consagrada no inconsciente coletivo obtendo uma maior consciência quanto à qualquer tipo de discriminação do outro, a causa nobre dele foi em relação ao racismo mas podemos deslocar para toda discriminação e preconceitos em geral: cor, etnia, religião, gênero ou alguma outra peculiaridade diferente, como por exemplo entes discriminados na própria família pelo poder aquisitivo (pobreza), separados ou divorciados, filhos adotivos, filhos bastardos – fora do casamento, efeminados etc...etc.....
Assim sendo, perdemos o Homem exemplar Mandela mas ganhamos seu espírito - agora fundido dentro de cada um de nós.
Abaixo, veja uma experiência de discriminação com crianças em uma escola do Canadá. http://youtu.be/F
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Medica falando sobre cuidados paleativos
Em Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013 13:20, Helena Fontes escreveu:
Mulheres está tão lindo esse vídeo! Eu a conheci na Palas Athena qdo ela foi dar uma palestra sobre o trabalho dela como médica Geriatra. Reservem 15 minutos para ver, vale a pena. bjs Helena
A Morte é Um Dia Que Vale A Pena Viver - por Ana Cláudia Quintana Arantes (Vídeo)
“Por um lado, aliviar a dor e o sofrimento de doentes e familiares. Por outro, resgatar a biografia de pacientes. Esse é o exercício diário de Ana Claudia Quintana Arantes, médica formada pela FMUSP e especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto. Foi a responsável pela implantação das políticas assistenciais de Avaliação da Dor e de Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein e é sócia fundadora da Associação Casa do Cuidar. Atualmente trabalha em consultório e como médica assistente do Hospice do Hospital da Clinicas da FMUSP, na Unidade Jaçanã.”
Veja esse vídeo: http://youtu.be/ep354ZXKBEs
Mulheres está tão lindo esse vídeo! Eu a conheci na Palas Athena qdo ela foi dar uma palestra sobre o trabalho dela como médica Geriatra. Reservem 15 minutos para ver, vale a pena. bjs Helena
A Morte é Um Dia Que Vale A Pena Viver - por Ana Cláudia Quintana Arantes (Vídeo)
“Por um lado, aliviar a dor e o sofrimento de doentes e familiares. Por outro, resgatar a biografia de pacientes. Esse é o exercício diário de Ana Claudia Quintana Arantes, médica formada pela FMUSP e especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto. Foi a responsável pela implantação das políticas assistenciais de Avaliação da Dor e de Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein e é sócia fundadora da Associação Casa do Cuidar. Atualmente trabalha em consultório e como médica assistente do Hospice do Hospital da Clinicas da FMUSP, na Unidade Jaçanã.”
Veja esse vídeo: http://youtu.be/ep354ZXKBEs
sábado, 26 de outubro de 2013
Exemplo de político - Jose Mujica
QUEM É JOSÉ
MUJICA?
EU, JOSÉ MUJICA – PRESIDENTE DO URUGUAIEu não sou pobre! Pobres são aqueles que acreditam que eu sou pobre. Tenho poucas coisas, é certo, as mínimas, mas apenas para ser rico. Quero ter tempo para... dedicá-lo às coisas que me motivam. Se tivesse muitas coisas, teria que me ocupar de resolvê-las e não poderia fazer o que eu realmente gosto. Essa é a verdadeira liberdade, a austeridade, o consumir pouco. Vivo em uma pequena casa, para poder dedicar tempo ao que verdadeiramente aprecio. Senão, teria que ter uma empregada e já teria uma interventora dentro de casa. Se eu tivesse muitas coisas, teria que me dedicar a cuidar delas, para que não fossem levadas... Não, com três cômodos é suficiente. Passamos a vassoura, eu e a velha, e já se acabou. Então, temos tempo para o que realmente nos entusiasma. Verdadeiramente, não somos pobres!”
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
A Pipoca Ruben Alves
Norma I. C. Melhorança é especialista em psicologia clínica, atende em SP na Vila Olímpia e em Perdizes, fone: 011-98748-7554
Alves (escritor, pedagogo,
teólogo e psicanalista) sobre - "sofrimento x desenvolvimento emocional"
O FOGO QUE NOS TRANSFORMA - (a pipoca)
- Por Rubem Alves -
Como o milho duro, que vira pipoca macia, só mudamos para melhor quando passamos pelo fogo: as provações da vida.
A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens, para que eles venham a ser o que devem ser.
O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, mas que, pelo poder do fogo, podemos, repentinamente, voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. O milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho de pipoca. Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
O fogo é quando a vida nos lança em uma situação que nunca imaginamos. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso dos remédios que apagam o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro, ficando cada vez mais quente, pense que a sua hora chegou: "vou morrer".
De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Mas subitamente, a transformação acontece: pum! - e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Mas existem pessoas PIRUÁS que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
Ignoram o dito de Jesus: “Quem quiser preservar a sua vida, perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará” (Lucas 17.33)
A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém.
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás, que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...
- Por Rubem Alves -
Como o milho duro, que vira pipoca macia, só mudamos para melhor quando passamos pelo fogo: as provações da vida.
A transformação do milho duro em pipoca macia é símbolo da grande transformação por que devem passar os homens, para que eles venham a ser o que devem ser.
O milho da pipoca somos nós: duros, quebra-dentes, impróprios para comer, mas que, pelo poder do fogo, podemos, repentinamente, voltar a ser crianças!
Mas a transformação só acontece pelo poder do fogo. O milho de pipoca que não passa pelo fogo, continua a ser milho de pipoca. Assim acontece com a gente.
As grandes transformações acontecem quando passamos pelo fogo. Quem não passa pelo fogo fica do mesmo jeito, a vida inteira.
O fogo é quando a vida nos lança em uma situação que nunca imaginamos. Pode ser fogo de fora: perder um amor, perder um filho, ficar doente, perder um emprego, ficar pobre.
Pode ser fogo de dentro: pânico, medo, ansiedade, depressão - sofrimentos cujas causas ignoramos.
Há sempre o recurso dos remédios que apagam o fogo. Sem fogo, o sofrimento diminui. E com isso a possibilidade da grande transformação. Imagino que a pobre pipoca, fechada dentro da panela, lá dentro, ficando cada vez mais quente, pense que a sua hora chegou: "vou morrer".
De dentro de sua casca dura, fechada em si mesma, ela não pode imaginar destino diferente. Mas subitamente, a transformação acontece: pum! - e ela aparece como outra coisa, completamente diferente, algo que ela mesma nunca havia sonhado.
Mas existem pessoas PIRUÁS que, por mais que o fogo esquente, se recusam a mudar. Elas acham que não pode existir coisa mais maravilhosa do que o jeito delas serem.
Ignoram o dito de Jesus: “Quem quiser preservar a sua vida, perdê-la-á; e quem a perder de fato a salvará” (Lucas 17.33)
A sua presunção e o seu medo são a dura casca do milho que não estoura. O destino delas é triste. Vão ficar duras a vida inteira.
Não vão se transformar na flor branca macia. Não vão dar alegria para ninguém.
Terminado o estouro alegre da pipoca, no fundo da panela ficam os piruás, que não servem para nada. Seu destino é o lixo.
Quanto às pipocas que estouraram, são adultos que voltaram a ser crianças e que sabem que a vida é uma grande brincadeira...
sexta-feira, 20 de setembro de 2013
O Amor..........Gibran Kalil Gibran
Quando o amor vos chamar, segui-o,
Embora seus caminhos sejam agrestes e escarpados;
E quando ele vos envolver com suas asas, cedei-lhe,
Embora a espada oculta na sua plumagem possa ferir-vos;
E quando ele vos falar, acreditai nele,
Embora sua voz possa despedaçar vossos sonhos
Como o vento devasta o jardim.
Pois, da mesma forma que o amor vos coroa,
Assim ele vos crucifica.
E da mesma forma que contribui para vosso crescimento,
Trabalha para vossa queda.
E da mesma forma que alcança vossa altura
E acaricia vossos ramos mais tenros que se embalam ao sol,
Assim também desce até vossas raízes
E as sacode no seu apego à terra.
Como feixes de trigo, ele vos aperta junto ao seu coração.
Ele vos debulha para expor vossa nudez.
Ele vos peneira para libertar-vos das palhas.
Ele vos mói até a extrema brancura.
Ele vos amassa até que vos torneis maleáveis.
Então, ele vos leva ao fogo sagrado e vos transforma
No pão místico do banquete divino.
Todas essas coisas, o amor operará em vós
Para que conheçais os segredos de vossos corações
E, com esse conhecimento,
Vos convertais no pão místico do banquete divino.
Todavia, se no vosso temor,
Procurardes somente a paz do amor e o gozo do amor,
Então seria melhor para vós que cobrísseis vossa nudez
E abandonásseis a eira do amor,
Para entrar num mundo sem estações,
Onde rireis, mas não todos os vossos risos,
E chorareis, mas não todas as vossas lágrimas.
O amor nada dá senão de si próprio
E nada recebe senão de si próprio.
O amor não possui, nem se deixa possuir.
Porque o amor basta-se a si mesmo.
Quando um de vós ama, que não diga:
“Deus está no meu coração”,
Mas que diga antes:
"Eu estou no coração de Deus”.
E não imagineis que possais dirigir o curso do amor,
Pois o amor, se vos achar dignos,
Determinará ele próprio o vosso curso.
O amor não tem outro desejo
Senão o de atingir a sua plenitude.
Se, contudo, amardes e precisardes ter desejos,
Sejam estes os vossos desejos:
De vos diluirdes no amor e serdes como um riacho
Que canta sua melodia para a noite;
De conhecerdes a dor de sentir ternura demasiada;
De ficardes feridos por vossa própria compreensão do amor
E de sangrardes de boa vontade e com alegria;
De acordardes na aurora com o coração alado
E agradecerdes por um novo dia de amor;
De descansardes ao meio-dia
E meditardes sobre o êxtase do amor;
De voltardes para casa à noite com gratidão;
E de adormecerdes com uma prece no coração para o bem-amado,
E nos lábios uma canção de bem-aventurança.
Gibran Kalil Gibran
segunda-feira, 2 de setembro de 2013
Educacao de filhos x limites - como prepara-los p o mundo?
Norma I. C. Melhorança
atende em consultório psicológico em Perdizes e Vila Olímpia, em SP - 011-98748-7554, selecionou abaixo dois textos
sobre o tema, conforme segue:
A criança sem limites tem
prejudicada a construção de sua personalidade. Suas atitudes passam a refletir
a falta de limites, ela torna-se desajustada, passando a ter dificuldade em
manter relacionamentos, seja a dois, seja profissionalmente.
Quem não aprendeu desde
cedo a ter consciência de limites tenderá a manifestar sua patologia de
descomedimentos até o fim, isso não "melhora com a idade".
Uma criança deixada
entregue a suas próprias pulsões e seus desejos não poderá ser feliz. Ela
estará limitada, incapacitada para a vida social, a escola, pois não saberá
respeitar as regras que possibilitam a convivência.Estará despreparada para a
vida a dois, pois esperará que seus companheiros lhe permitam tudo, como faziam
seus pais.
A criança sem limites vive
constantemente angustiada, pois não encontra nenhuma barreira que a proteja de
si mesma e do mundo exterior.
Uma criança pequena não é
um ser civilizado - ela é dominada pelas suas pulsões, pelo princípio do
prazer, pelo sentimento de onipotência. Para que se torne um ser civilizado,
deve transformar o seu funcionamento inicial. Para que isso aconteça a
autoridade de seus pais é indispensável. Uma criança se constrói ao se opor.
O respeito pelos outros
começa pelo respeito aos próprios pais.
A autoridade é
indispensável para a construção sadia da criança - do caráter e da
personalidade.
O medo de exercer essa
autoridade atrapalha. A autoridade está em crise desde o tempo hippie e sua
farra libertária - o que acabou causando muito estrago. Nós hoje ficamos sem
saber o que fazer para controlar a rebeldia de nosso filhos; quem deveria ser
comandado comanda.
Deveríamos ter certeza
sempre que nossa autoridade de pais é legítima e assim conseguirmos mantê-la.
A autoridade é uma prova
de amor.
Não adianta só conversar,
a punição é indispensável. Como uma criança poderá compreender a importância de
uma regra se uma punição não sanciona sua transgressão? O pai que se limita a
falar em vez de repreender acaba por perder toda credibilidade aos olhos de seu
filho. A punição serve também para fazer com que as palavras dos pais sejam
respeitadas, dando peso a elas e evitando que sejam transformadas num blá blá
blá inofensivo.
Existe uma fantasia
utópica de que a família deve sempre estar num clima de bom humor e seneridade,
mas isto é impraticável. O conflito é inevitável porque a criança sempre se
opõe aos limites, e o enfrentamento contribui para o fortalecimento de sua
estrutura, e muitas vezes consome uma enorme quantidade de energia e tempo dos
pais. Essas divergências criam inevitavelmente fricções.
Freqüentemente os pais não
"conseguem" ter ou exercer sua autoridade por medo e por preguiça ou
ainda por crenças em um psicologismo barato, então não despertam em seus filhos
a necessidade deles serem responsáveis, respeitando as pessoas, tendo objetivos
e se respeitando.
O pai não é parceiro,
amigo ou colega do filho. Ele á autoridade, educador e guia do filho.
Isto é amor, segurança e
paz.
Lisiane Marçal - médica pediatra
A boa mãe é aquela que vai se tornando desnecessária com o passar
do tempo. Várias vezes ouvi de um amigo psicanalista essa frase, e
ela sempre me soou estranha. Chegou a hora de reprimir de vez o
impulso natural materno de querer colocar a cria embaixo da asa,
protegida de todos os erros, tristezas e perigos. Uma batalha
hercúlea, confesso. Quando começo a esmorecer na luta para
controlar a super mãe que todas temos dentro de nós, lembro logo da
frase, hoje absolutamente clara.
Se eu fiz o meu trabalho direito, tenho que me tornar desnecessária.
Antes que alguma mãe apressada me acuse de desamor, explico o que
significa isso.
Ser “desnecessária” é não deixar que o amor incondicional de
mãe, que sempre existirá, provoque vício e dependência nos filhos,
como uma droga, a ponto de eles não conseguirem ser autônomos,
confiantes e independentes. Prontos para traçar seu rumo, fazer suas
escolhas, superar suas frustrações e cometer os próprios erros
também. A cada fase da vida, vamos cortando e refazendo o cordão
umbilical. A cada nova fase, uma nova perda é um novo ganho, para os
dois lados, mãe e filho.
Porque o amor é um processo de libertação permanente e esse
vínculo não para de se transformar ao longo da vida. Até o dia em
que os filhos se tornam adultos, constituem a própria família e
recomeçam o ciclo. O que eles precisam é ter certeza de que estamos
lá, firmes, na concordância ou na divergência, no sucesso ou no
fracasso, com o peito aberto para o aconchego, o abraço apertado, o
conforto nas horas difíceis.
Pai e mãe - solidários - criam filhos para serem livres. Esse é o
maior desafio e a principal missão.
Ao aprendermos a ser “desnecessários”, nos transformamos em porto
seguro para quando eles decidirem atracar.
"Dê a quem você Ama :
- Asas para voar...
- Raízes para voltar...
- Motivos para ficar...
Poema de Gibran Khalil Gibran
"Vossos
filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável."
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável."
domingo, 11 de agosto de 2013
Volta à mídia o caso Isabella
Caso Isabella - Violência doméstica, volta a ocupar a mídia da semana,
Em 06/abril/2008, observando a comoção nacional que este drama despertou, escrevi o que segue:
Todo
o Brasil esteve nestas 2 últimas semanas impactado com a possibilidade
de um filicídio, ou seja, a possibilidade do pai (ou) e da madrasta de
uma criança de 6 anos tê-la assassinado. Ainda não se tem as provas
finais, porém ficou e está no imaginário da população brasileira este
horror, esta monstruosidade.
Nos perguntamos: - o que leva uma pessoa a tal comportamento? O que se passa na questão da violência doméstica?
O
patricídio e o filicídio sempre existiram na história, porém quando,
hoje em dia, com tantos recursos à nossa mão, à nossa disposição, ainda
vemos pessoas de classe média, de nível escolar bom, intelectualmente
preparadas, cometerem um ato absurdamente bestial, onde perdeu-se o
côntrôle total, onde impulsivamente cometeu-se atitudes covardes de
levar até as últimas consequências
(morte), uma inocente e indefesa menina de 6 aninhos, ficamos
perplexos e aterrorizados!
Quando
os autores de crimes passionais, aqueles que matam a família ou os
pais, ou aqueles que matam suas companheiras ou o seu contrário, quando
indagados sobre o que os levou a tal atitude insana respondem que uma
força externa os tomou e que uma vez possuídos por esta força
externa, cegos, eles então, praticaram tal ato de violência. Vejam que o
mal fica projetado para o externo, para fora do sujeito.
Também
as tribos indígenas, arcaicas, em seu primitivismo natural projetam no inimigo, na tribo vizinha, em épocas de conflito, seus pavores e inseguranças, acreditando que o mal está no outro, portanto
ao guerrear com o inimigo e trazerem como troféu seu couro capilar ou
partes do seu corpo como o coração para todos na tribo comerem
canibalisticamente, eles acreditam que adquiriram a
força do outro, introjetando, mastigando o poder que até então morava
na psique do outro, realizando concretamente numa projeção maciça e cega
questões da subjetividade (do não concreto).
Hoje, em nossa civilização observamos não estarmos tão distante assim dos
primitivos, haja vista as diversas igrejas atribuírem ao externo, ao
satanás ou alguém equivalente as questões do mal, também projetando fora
do sujeito os sentimentos e emoções negativas.
Segundo
Jung, as sombras, a parte inconsciente escura habita a nossa psique,
onde o que se manifesta como "o mal", não está longe, lá distante de nós
e sim dentro de todos nós, habita nosso inconsciente. Conforme Cristo
falou: ..."Saiba sua mão direita (para quem é destro) o que se passa com sua mão esquerda (aquela que você não governa)"..., ou ainda...."Orai e
vigiai" - entendendo-se estas frases não como algo externo a nós
(diabo), mas sim, ..."conscientemente vigie seus pensamentos e
seus sentimentos (intra psíquico, dentro de si)"...
Projetando, que a violência, a agressividades está distante de nós, no outro, quem
sabe até mesmo, apenas no pai e na má-drasta desta pobre menininha, primitivamente
ficaremos à mercê do mal (sombra) que está solta, livre da consciência,
dentro do nosso inconsciente, levando vez por outra, alguns de nós, cidadãos absolutamente bem intencionados, seres comuns a
atuar, ou seja, a fazerem o acting-out, "atuação inconsciente" - concretiza. Neste
caso, a violência doméstica atua, realiza o que estava na base do inconsciente,
independente da vontade (ou da força de vontade) do individuo.
Caso,
de fato, fique comprovado que ocorreu um filicídio, lamentamos profundamente: - que lástima pois lá se vai mais de uma década do ano 2000 e dispomos hoje de diversos e fortes recursos na área da psique. Se este pai houvesse se submetido a uma análise ou tratamento psicoterápico para resolver seus
conflitos, principalmente ao que tange à ex esposa Ana Carolina e sua atual esposa - vejam só a coincidência do registro inconsciente, que também chama-se Ana Carolina,
bem como, ao fruto da primeira união que era a filhinha Isabella, certamente ele deixaria no
setting terapêutico os seus ódios, rancores e conflitos, e provavelmente teria grande chance do ocorrido, da dança macabra e diabólica do conflito inconsciente não ter vindo à tona, não ter se concretizado.
Norma I. C. Melhorança
CRP nº 08/02740
Atende em consultório no Itaim Bibi e em Perdizes em SP
e também em Curitiba - PR cel: 011-98748-7554
sábado, 27 de julho de 2013
o psicológico x doença física
Alguns
comentários sobre a Psicossomática
(Psico + soma
(corpo))
Uma velha
lenda sufista conta que um estranho dá com um homem engatinhando debaixo de uma
lâmpada, em frente de sua casa. Está procurando as chaves. O estranho fica de
quatro para ajudá-lo e, algum tempo depois, pergunta:
- Onde foi
que as deixou cair, exatamente?
- Lá dentro
de casa – responde o outro.
- Então por
que as está procurando aqui fora?
- Porque a
casa não tem luz.
A luz é mais
intensa na mente consciente, mas nós temos de procurar é no escuro
inconsciente. O psicoterapeuta trabalha vertendo as sombras, o escuro em luz,
tornando claro, verbal lógico. O mundo do paciente pode estar às escuras, mas
existem fontes de iluminação. Há uma
centelha dentro de todos nós. Ela existe e pode iluminar o caminho da
transformação.
NÃO EXISTEM
DOENÇAS INCURÁVEIS, MAS SIM PESSOAS INCURÁVEIS.
Carl
Simonton: “Acredito que ficamos doentes por motivos nobres. É a forma de o
organismo nos dizer que as necessidades que sentimos – não só as físicas, mas
também as emocionais – não estão sendo atendidas e que as preenchidas pela
doença são importantes”.
Entre os
portadores de cancer, deve-se estimulá-los a manifestarem suas raivas, ressentimentos,
ódios, temores e culpas. Tais emoções constituem indícios de que nos importamos
ao máximo quando nossa vida é ameaçada. As pesquisas demonstram invariavelmente
que quem dá livre expansão às emoções NEGATIVAS sobrevive melhor ao Câncer. As
pessoas que sofrem lesões na espinha dorsal e que se revelam desgostosas e
enraivecidas avançam mais depressa no caminho da reabilitação que as que adotam
uma atitude estóica ou àquelas que parecem aceitar calmamente a desgraça, ou
ainda, num outro exemplo: um terrível acidente numa usina de energia nuclear, o
Dr. Andrew Baum descobriu que os mais enfurecidos e receosos sofreram muito
menos tensão e problemas psíquicos que os adeptos de um enfoque “racional”. Os
sentimentos reservados criam TENSÃO e consequentemente, deprimem a reação
imunológica de nosso organismo, tornando-o vulnerável às doenças graves. O Dr. Leonard Derogatis descobriu em 1979,
que as mulheres com carcinoma na mama que sentiam e manifestavam livremente
raiva, medo, depressão e culpa viviam muito mais tempo que as pacientes que mal
revelavam suas emoções. O Dr. William James diz: A maior descoberta de minha
geração é que, na realidade, quase todas as doenças tem origem psicossomática,
isto parece estranho à pessoa acostumada a pensar que as moléstias
psicossomáticas não são, a rigor, “verdadeiras”. Mas elas são. O físico David Bohm prefere a expressão
“soma-significado” , pois o corpo só conhece o que a mente lhe transmite,
portanto aceitar a nossa participação na responsabilidade da doença é
fundamental.
A psicologia
do sacrifício sem vontade é muito diferente da psicologia do sacrifício
voluntário. Há momentos e épocas da vida
em que o autêntico sacrifício das coisas mais valiosas é essencial para nosso
desenvolvimento ulterior. Se o sacrifício não for voluntário, isto é,
consciente e com plena noção da perda sofrida, então será inconsciente. Nesse caso, não estaremos nos sacrificando pelo crescimento
interior, mas sendo sacrificados por um crescimento que se tornará patológico.
“Quase todos
nós somos obrigados a viver uma vida de constante e sistemática duplicidade. A
saúde tende a ser afetada se, dia após dia, dizemos o
contrário do que sentimos, se rastejamos diante daquilo que detestamos e se nos
rejubilamos ante aquilo que não nos traz senão infortúnio. O sistema nervoso
não é obra de ficção, faz parte do organismo, assim como a alma existe no
espaço e está dentro de nós, tal como os dentes dentro da boca. Ela não pode
ser impunemente violada para sempre.”
Borís
Pasternák:
"Uma mulher
afirma egoicamente, com toda sua determinação: “Vou fazer esse casamento dar
certo ou morrer tentando”, na certa morreria tentando, pois
como um trator, passará por cima da “verdade” incrustada na profundidade de sua
alma."
Carl G. Jung:
“A longo
prazo,....a vontade consciente jamais será capaz de substituir o instinto
vital”.
Fiódor Dostoiévski:
”Uma nova
filosofia, uma forma de vida, não se dá por nada. É preciso pagar caro por ela,
e só a adquirimos com muita paciência e grande esforço”
Martin Buber:
“O mundo não
é um jogo dos céus, é destino dos céus. Que existam o mundo, o homem, a pessoa
humana, eu e você, tem significado divino. A criação – acontece-nos, arde em
nós, modifica-nos. Trememos e desmaiamos e acabamos por nos submeter. A criação
– nós participamos dela, encontramos o Criador, oferecemo-nos a Ele,
colaboradores e companheiros”.
Martin Buber:
“A revelação
não flui do inconsciente, mas sim o domina....Toma posse do elemento humano
para refundi-lo: A Revelação é a forma pura do encontro”.
Para vc Izabella: Poesia do Vô Nilo
"Professô entra um pouquinho!
Não arrepare o meu ranchinho, só tem banco p sentar,
Me da licença primeiro vô ascender meu
paieiro pra depois nois conversar,
Professô aí no quarto tem um pequeno retrato q vô mostrar
pra vancê, É
o retrato de Maria minha única filha q nunca mais hei de ver,
Desde bem pequenininha eu falava: - "minha
filhinha um dia vai estudar, vai ser moça formada, professora
diplomada pra tudo nois ensina"
Quando fez 16 anos lá foi ela soluçando pros estudos se educa,
Não é por ser minha família, mas minha filha era linda como quê!
Doente, pobre e cansado lá ia eu pro roçado pros estudos sustentar.
Eu lhe juro q foi verdade foi 6 anos de ansiedade, ate q chegou o dia!
Ela vortou pro sertão, q triste desilusão!
Já não era mais minha filha: o seu vestidinho de chita por fina seda
trocou, a sandainha sem sarto, transformou num sarto arto e ate as
trancas cortou!
Eu vim saber o q aconteceu a
expricação q ela deu, estraçalhou minha vida: aquela q foi um dia a mais
honrada das fias, tornou uma mulher perdida!
É a
maior dor q um pai sente e parecia ver na minha frente a imagem do
lucifer e foi chorando q eu disse q disse q deste rancho sumisse pra
nunca mais por os pes.
Se é esta a escola falada q
deixa a gente formada, de arta posição,te juro prefiro a morte e digo c
voz bem forte, vá para bem longe e não vorte amardiçoada educacão."
sábado, 13 de julho de 2013
Luciana, poesia de despedida de sua análise em Salvador - BA
"Anjo de Luz
na imensidão do Universo;
Pássaro que pousou na janela do meu existir e me fez
olhar para dentro de minha casa;
Abriu-me as portas e me conduziu até o fundo de minha alma.
Caminhastes comigo de mãos dadas mostrando-me o infinito.
Com muito cuidado e paciência levastes simplesmente onde
sempre quis ir - ao encontro de mim.
Colocastes os focos da tua luz para que eu pudesse enxergar
com mais clareza a minha vida.
Sei que ainda restam lugares desta casa a serem conhecidos.
Vou, com o coração ainda partido, buscar outros parceiros,
para juntos irmos mais longe ao encontro dos meus esconderijos.
Hoje, sinto a sua partida como quem sente a dor de uma despedida.
Fico por entre lágrimas, a consolar-me, e por entre poesias a exaltar a tua grandeza.
Grandes revelações me ajudastes a ter, em tão pouco tempo, me mostrastes tanto;
fizestes da confiança nossa maior aliada e do silêncio a confirmação da verdade sentida
e vivida visceralmente.
Vai, mulher iluminada
encontrar outras vidas e conduzi-las a lugares nunca visitados.
E não te esqueces, de um dia pousar de novo nesta janela habitada
por um ser que nunca se cansa de amar e viver.
28/11/95
na imensidão do Universo;
Pássaro que pousou na janela do meu existir e me fez
olhar para dentro de minha casa;
Abriu-me as portas e me conduziu até o fundo de minha alma.
Caminhastes comigo de mãos dadas mostrando-me o infinito.
Com muito cuidado e paciência levastes simplesmente onde
sempre quis ir - ao encontro de mim.
Colocastes os focos da tua luz para que eu pudesse enxergar
com mais clareza a minha vida.
Sei que ainda restam lugares desta casa a serem conhecidos.
Vou, com o coração ainda partido, buscar outros parceiros,
para juntos irmos mais longe ao encontro dos meus esconderijos.
Hoje, sinto a sua partida como quem sente a dor de uma despedida.
Fico por entre lágrimas, a consolar-me, e por entre poesias a exaltar a tua grandeza.
Grandes revelações me ajudastes a ter, em tão pouco tempo, me mostrastes tanto;
fizestes da confiança nossa maior aliada e do silêncio a confirmação da verdade sentida
e vivida visceralmente.
Vai, mulher iluminada
encontrar outras vidas e conduzi-las a lugares nunca visitados.
E não te esqueces, de um dia pousar de novo nesta janela habitada
por um ser que nunca se cansa de amar e viver.
28/11/95
Rubem Alves
"A Poesia não é uma expressão do Ser do Poeta, é uma expressão do Não Ser do Poeta.
O que escrevo não é o que tenho, é o que me falta.
Escrevo porque tenho sede e não tenho água;
Sou pote,
A Poesia é água."
O que escrevo não é o que tenho, é o que me falta.
Escrevo porque tenho sede e não tenho água;
Sou pote,
A Poesia é água."
Guimarães Rosa
"A vida de um Ser Humano com outro é impossível, estamos assistindo apenas um milagre".
sexta-feira, 12 de julho de 2013
"Sonhar para quê?"
SONHAR PARA QUÊ?
As experiências subjetivas vividas todas as noites ajudam a resolver problemas do dia a dia e até a ver o futuro, diz o neurobiólogo Sidarta Ribeiro
Iara Biderman
A civilização atual não sabe mais sonhar, lamenta um dos maiores especialistas brasileiros no assunto, o neurobiólogo Sidarta Ribeiro, 42.
Segundo ele, os sonhos são ensaios que auxiliam a pessoa a enfrentar desafios, assim como eram uma garantia de sobrevivência para nossos ancestrais.
No Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), dirigido por Ribeiro, essas hipóteses são testadas com equipamentos, à luz das novas descobertas da biologia, da física e da neurofisiologia.
Toda essa ciência dura não o imNOpede de usar áreas mais elásticas do conhecimento. Ele incorpora aos seus estudos conceitos vindos da psicanálise, de relatos de povos primitivos e de pesquisas sobre efeitos da ayahuasca (chá do Daime) e da maconha.
No momento, o pesquisador experimenta uma nova tecnologia para modificar neurônios em cérebros de ratos com o objetivo de induzir ao sono e à concentração da memória. Ele acaba de finalizar um estudo comprovando a precisão de diagnósticos de esquizofrenia e bipolaridade feitos a partir de relatos de sonhos de pacientes.
A reportagem da Folha conversou com Ribeiro no Rio, durante um seminário sobre sono. Leia trechos.
Folha - Qual é, no fim, a função do sonho?
Sidarta Ribeiro - Hoje em dia, nenhuma, porque a gente não dá importância para o sonho. Em culturas tradicionais, era central. O público universitário não acredita em sonhos, mas, se a pessoa se dispuser a fazer um "sonhário" [diário de sonhos], vai perceber que eles têm função. O sonho joga estímulos elétricos em suas memórias e você fica explorando todas as possibilidades, o que pode ou não acontecer. É mesmo uma capacidade de ver o futuro.
Folha - O que mais o sonho faz?
O sonho é sobretudo a articulação de memórias regida pelo circuito de recompensa do cérebro. Não é reverberar qualquer memória, mas sim aquelas que têm a ver com procurar o que nos dá prazer e evitar o que é desagradável. Sonhar serve como um ensaio, uma simulação de expectativas de recompensas e punições que prepara a pessoa para enfrentar a vida. Um estudo sobre sonhos de mulheres que se separaram dos maridos mostrou um padrão entre eles. Primeiro, elas sonham que está tudo bem no casamento; depois, há uma fase em que sonham que o marido morreu e, por último, acontece a simulação: nos sonhos, elas ou os maridos estão se relacionando com outras pessoas.
Folha - A psicanálise ajuda a recuperar essas funções dos sonhos?
Acho a psicanálise muito útil, mas não dá para fazer análise com uma pessoa que não tem introspecção. Que "não sonha". A nossa civilização esqueceu como se sonha. As pessoas precisam reaprender a sonhar.
Folha - Como é esse aprendizado?
É dar ao sonho um lugar de importância. Se a pessoa vai para a cama e adormece vendo TV, não está se preparando para a experiência importante, transcendental mesmo, que é sonhar. E se ela se levanta da cama pulando e vai fazer outra coisa, não tem como se lembrar do que sonhou. A pessoa tem que treinar essa lembrança. É preciso também perceber como o cinema e a TV tomaram o lugar de nossos sonhos. As pessoas sonham acordadas sonhos que são feitos por outras pessoas, com conteúdos prontos.
Folha - Mas esses conteúdos também têm a sua função...
Nada contra, adoro filmes, seriados... O problema é que a gente vive em um mundo de excesso. Os estímulos hoje são muito mais complexos. Aí seu sonho é cheio de filigranas, como uma cama com dossel: não tem utilidade tão real, não vai salvar a sua vida. Só em situações de estresse eles se tornam mais práticos.
Folha - O que é um sonho prático?3
É quando ataca um problema concreto. Um estudo que fizemos no Instituto de Neurociências mostrou que candidatos que sonham com o vestibular têm notas 30% mais altas do que os outros. Mais interessante: os que simplesmente sonharam terem passado na prova não foram os melhores, e sim os que tinham sonhos com as matérias estudadas. Sonho tem que ter utilidade, como tinha para os homens das cavernas: se ele sonhava com um tigre no lugar onde costumava beber água, ficava ligado. Mesmo se só criasse temores subliminares, o sonho aumentava as chances de sobrevivência.
Folha - Animais também sonham?
Todos os mamíferos e alguns pássaros têm sono REM, que é a fase em que se sonha de forma vívida. Só que os pássaros têm centenas dessas fases. Devem ser sonhozinhos que duram segundos. Os nossos duram 40 minutos.
Folha - E são só quatro por noite?
Eu tenho uma teoria que, apesar de termos quatro episódios de sono REM, temos milhares de sonhos, mas testemunhamos só um por vez. Quando sonhamos, todas as criaturas da mente estão acordadas. É um zoológico: abre a porta e sai tudinho. O nosso "self" [consciência de si] é só um dos bichos, para onde ele for será o sonho que estaremos vendo. E são camadas e camadas interpenetráveis de coisas rolando. Por isso é tão comum você sonhar que entra em um lugar e, de repente, está em outro.
Folha - Como o senhor define consciente e inconsciente?
Inconsciente é a soma de todas as memórias que a gente tem e todas as combinações possíveis. Por isso é tão grande. Consciente é a mínima fração disso que está ativa no momento.
Folha - E o que é a consciência?
Ninguém sabe. Não há nem mesmo um acordo sobre o que a palavra quer dizer. A consciência tem a ver com informações que se espalham no cérebro todo.
Folha - Então não dá para definir o lugar da consciência no cérebro?
Eu odeio isso, dizer que cada área faz uma coisa: "Meu hipocampo navegou, meu hipotálamo sentiu". Não temos controle. Isso só serve para livro de autoajuda e para vender remédio. Mas as pessoas adoram, parece que você explicou tudo ao mostrar áreas cerebrais coloridas.
Raio-X
Sidarta Ribeiro
Nascimento: 16 de abril de 1971, em Brasília
Formação: Ciências biológicas (Universidade de Brasília), mestrado em Biofísica (UFRJ), doutorado em Neurociências e Comportamento Animal (Universidade Rockefeller, E. U. A.), pós-doutorado em Neurofisiologia (Universidade Duke, E. U. A.)
Atuação: Diretor do Instituto do Cérebro e professor de Neurociências na UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/111065-sonhar-para-que.shtml
As experiências subjetivas vividas todas as noites ajudam a resolver problemas do dia a dia e até a ver o futuro, diz o neurobiólogo Sidarta Ribeiro
Iara Biderman
A civilização atual não sabe mais sonhar, lamenta um dos maiores especialistas brasileiros no assunto, o neurobiólogo Sidarta Ribeiro, 42.
Segundo ele, os sonhos são ensaios que auxiliam a pessoa a enfrentar desafios, assim como eram uma garantia de sobrevivência para nossos ancestrais.
No Instituto do Cérebro da UFRN (Universidade Federal do Rio Grande do Norte), dirigido por Ribeiro, essas hipóteses são testadas com equipamentos, à luz das novas descobertas da biologia, da física e da neurofisiologia.
Toda essa ciência dura não o imNOpede de usar áreas mais elásticas do conhecimento. Ele incorpora aos seus estudos conceitos vindos da psicanálise, de relatos de povos primitivos e de pesquisas sobre efeitos da ayahuasca (chá do Daime) e da maconha.
No momento, o pesquisador experimenta uma nova tecnologia para modificar neurônios em cérebros de ratos com o objetivo de induzir ao sono e à concentração da memória. Ele acaba de finalizar um estudo comprovando a precisão de diagnósticos de esquizofrenia e bipolaridade feitos a partir de relatos de sonhos de pacientes.
A reportagem da Folha conversou com Ribeiro no Rio, durante um seminário sobre sono. Leia trechos.
Folha - Qual é, no fim, a função do sonho?
Sidarta Ribeiro - Hoje em dia, nenhuma, porque a gente não dá importância para o sonho. Em culturas tradicionais, era central. O público universitário não acredita em sonhos, mas, se a pessoa se dispuser a fazer um "sonhário" [diário de sonhos], vai perceber que eles têm função. O sonho joga estímulos elétricos em suas memórias e você fica explorando todas as possibilidades, o que pode ou não acontecer. É mesmo uma capacidade de ver o futuro.
Folha - O que mais o sonho faz?
O sonho é sobretudo a articulação de memórias regida pelo circuito de recompensa do cérebro. Não é reverberar qualquer memória, mas sim aquelas que têm a ver com procurar o que nos dá prazer e evitar o que é desagradável. Sonhar serve como um ensaio, uma simulação de expectativas de recompensas e punições que prepara a pessoa para enfrentar a vida. Um estudo sobre sonhos de mulheres que se separaram dos maridos mostrou um padrão entre eles. Primeiro, elas sonham que está tudo bem no casamento; depois, há uma fase em que sonham que o marido morreu e, por último, acontece a simulação: nos sonhos, elas ou os maridos estão se relacionando com outras pessoas.
Folha - A psicanálise ajuda a recuperar essas funções dos sonhos?
Acho a psicanálise muito útil, mas não dá para fazer análise com uma pessoa que não tem introspecção. Que "não sonha". A nossa civilização esqueceu como se sonha. As pessoas precisam reaprender a sonhar.
Folha - Como é esse aprendizado?
É dar ao sonho um lugar de importância. Se a pessoa vai para a cama e adormece vendo TV, não está se preparando para a experiência importante, transcendental mesmo, que é sonhar. E se ela se levanta da cama pulando e vai fazer outra coisa, não tem como se lembrar do que sonhou. A pessoa tem que treinar essa lembrança. É preciso também perceber como o cinema e a TV tomaram o lugar de nossos sonhos. As pessoas sonham acordadas sonhos que são feitos por outras pessoas, com conteúdos prontos.
Folha - Mas esses conteúdos também têm a sua função...
Nada contra, adoro filmes, seriados... O problema é que a gente vive em um mundo de excesso. Os estímulos hoje são muito mais complexos. Aí seu sonho é cheio de filigranas, como uma cama com dossel: não tem utilidade tão real, não vai salvar a sua vida. Só em situações de estresse eles se tornam mais práticos.
Folha - O que é um sonho prático?3
É quando ataca um problema concreto. Um estudo que fizemos no Instituto de Neurociências mostrou que candidatos que sonham com o vestibular têm notas 30% mais altas do que os outros. Mais interessante: os que simplesmente sonharam terem passado na prova não foram os melhores, e sim os que tinham sonhos com as matérias estudadas. Sonho tem que ter utilidade, como tinha para os homens das cavernas: se ele sonhava com um tigre no lugar onde costumava beber água, ficava ligado. Mesmo se só criasse temores subliminares, o sonho aumentava as chances de sobrevivência.
Folha - Animais também sonham?
Todos os mamíferos e alguns pássaros têm sono REM, que é a fase em que se sonha de forma vívida. Só que os pássaros têm centenas dessas fases. Devem ser sonhozinhos que duram segundos. Os nossos duram 40 minutos.
Folha - E são só quatro por noite?
Eu tenho uma teoria que, apesar de termos quatro episódios de sono REM, temos milhares de sonhos, mas testemunhamos só um por vez. Quando sonhamos, todas as criaturas da mente estão acordadas. É um zoológico: abre a porta e sai tudinho. O nosso "self" [consciência de si] é só um dos bichos, para onde ele for será o sonho que estaremos vendo. E são camadas e camadas interpenetráveis de coisas rolando. Por isso é tão comum você sonhar que entra em um lugar e, de repente, está em outro.
Folha - Como o senhor define consciente e inconsciente?
Inconsciente é a soma de todas as memórias que a gente tem e todas as combinações possíveis. Por isso é tão grande. Consciente é a mínima fração disso que está ativa no momento.
Folha - E o que é a consciência?
Ninguém sabe. Não há nem mesmo um acordo sobre o que a palavra quer dizer. A consciência tem a ver com informações que se espalham no cérebro todo.
Folha - Então não dá para definir o lugar da consciência no cérebro?
Eu odeio isso, dizer que cada área faz uma coisa: "Meu hipocampo navegou, meu hipotálamo sentiu". Não temos controle. Isso só serve para livro de autoajuda e para vender remédio. Mas as pessoas adoram, parece que você explicou tudo ao mostrar áreas cerebrais coloridas.
Raio-X
Sidarta Ribeiro
Nascimento: 16 de abril de 1971, em Brasília
Formação: Ciências biológicas (Universidade de Brasília), mestrado em Biofísica (UFRJ), doutorado em Neurociências e Comportamento Animal (Universidade Rockefeller, E. U. A.), pós-doutorado em Neurofisiologia (Universidade Duke, E. U. A.)
Atuação: Diretor do Instituto do Cérebro e professor de Neurociências na UFRN - Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/equilibrio/111065-sonhar-para-que.shtml
"O instante do ocorrido x o tempo"
"Quantos instantes há de ter o instante deste instante maior" Mario Benedetti
Otimistas x Pessimistas, em qual destes times vc está?
Segundo Lou Andreas-Salomé: "O temperamento otimista encontra sua felicidade no sentimento da existência, o temperamento pessimista só encontra o sentimento de sua existência na felicidade."
Carta de Freud a uma paciente sobre homossexualismo x "cura", em 1.936
A proposta da "cura gay" é inteiramente discrepante à posição de Freud numa carta à mãe de um adolescente homossexual em 1936:
"Prezada Senhora,
Deduzo de sua ...carta que seu filho é homossexual. Estou especialmente impressionado com o fato da senhora não ter mencionado este termo no seu relato sobre seu filho. Posso perguntar-lhe porque o evitou? A homossexualidade seguramente não é uma vantagem , mas não é nada vergonhoso, não é um vício, não é uma degradação, não pode ser classificada como uma doença; nós a consideramos uma variação da função sexual produzida por um certo bloqueio no desenvolvimento sexual.
Muitos indivíduos altamente respeitáveis na antiguidade e também nos dias de hoje, foram homossexuais, muitos homens notáveis de sua época (Platão, Michelangelo, Leonardo da Vinci). É uma grande injustiça e crueldade a perseguição da homossexualidade como um crime. Se você não acredita em mim, leia os livros de Hamelock Ellis.
Ao perguntar-me se eu poderia ajudar, suponho que você quer saber se posso abolir a homossexualidade e colocar a heterossexualidade normal em seu lugar. A resposta é que, de uma maneira geral, não podemos prometer conseguir isto. Em certos casos temos sucesso em desenvolver as incipientes tendências heterossexuais que estão presentes em todos os homossexuais, mas na maior parte dos casos isto não é mais possível. Depende das características e idade do indivíduo. O resultado do tratamento não pode ser previsto.
O que a análise pode fazer por seu filho segue em outra direção. Se ele é infeliz, neurótico, torturado por conflitos, inibido em sua vida social, a análise pode lhe trazer harmonia, paz de espírito, completo desenvolvimento de suas potencialidade, continue ou não homossexual.
Se você decidir que ele deve fazer análise comigo - e eu não espero que isto aconteça - ele deverá vir a Viena. Não tenho intenção de mudar-me. De qualquer forma, não deixe de me responder,
Sinceramente,
Desejo-lhe boa sorte,
Sigmund Freud"
Norma I. C. Melhorança é especialista em psicologia clínica, atende em Perdizes na Rua Campevas, 635 e no Itaim Bibi na Av. Dr. Cardoso de Melo, 1450 sala 209, em São Paulo, fone 11-98748-7554.
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Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.Onde leva? Não perguntes, segue-o!
Nietzsche
