"Professô entra um pouquinho!
Não arrepare o meu ranchinho, só tem banco p sentar,
Me da licença primeiro vô ascender meu
paieiro pra depois nois conversar,
Professô aí no quarto tem um pequeno retrato q vô mostrar
pra vancê, É
o retrato de Maria minha única filha q nunca mais hei de ver,
Desde bem pequenininha eu falava: - "minha
filhinha um dia vai estudar, vai ser moça formada, professora
diplomada pra tudo nois ensina"
Quando fez 16 anos lá foi ela soluçando pros estudos se educa,
Não é por ser minha família, mas minha filha era linda como quê!
Doente, pobre e cansado lá ia eu pro roçado pros estudos sustentar.
Eu lhe juro q foi verdade foi 6 anos de ansiedade, ate q chegou o dia!
Ela vortou pro sertão, q triste desilusão!
Já não era mais minha filha: o seu vestidinho de chita por fina seda
trocou, a sandainha sem sarto, transformou num sarto arto e ate as
trancas cortou!
Eu vim saber o q aconteceu a
expricação q ela deu, estraçalhou minha vida: aquela q foi um dia a mais
honrada das fias, tornou uma mulher perdida!
É a
maior dor q um pai sente e parecia ver na minha frente a imagem do
lucifer e foi chorando q eu disse q disse q deste rancho sumisse pra
nunca mais por os pes.
Se é esta a escola falada q
deixa a gente formada, de arta posição,te juro prefiro a morte e digo c
voz bem forte, vá para bem longe e não vorte amardiçoada educacão."

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