Norma I. C. Melhorança, especialista em psicologia clínica, atende na V. Olímpia e em Perdizes em SP – 011-98748-7554.
Morte de Mandela: perda ou ganho
Quando éramos crianças, século passado dos idos anos 50, meu pai prevendo a irrupção da chuva, levava os quatro filhos (a caçula ainda não havia nascido) para construir pontes, diques e barragens de cimento com a finalidade de proteger formigueiros da enxurrada certeira que logo, logo desaguaria e acabaria com o lar duramente por elas construído. Meus irmãos (2) eram tidos como estranhos pelos outros moleques da redondeza habituados a matar passarinhos com seus estilingues, em casa era simplesmente proibido. Brincar de mocinho x bandido, nem pensar – só se fosse sem o revolver que era a grande graça da brincadeira. Todo cachorro sarnento de rua ao se aproximar da casa era imediatamente recolhido e tratado (acabava quase sempre sendo adotado, engrossando consideravelmente o numero extenso de bicharada que conosco conviviam). Na época ninguém havia falado ou soubesse o que era ecologia ou ecológico, não havia sequer um nome, uma palavra que denominasse o gesto destas poucas pessoas, bem poucas por sinal, que estivessem preocupadas com a dor e o sofrimento dos bichinhos, nosso pai era uma dessas pessoas sensíveis sobremaneira ao sofrimento impingido pela natureza e pelos homens a estes “seres de Deus”, como dizia: - tão frágeis e vulneráveis à perversidade e crueldade dos humanos. Nosso pai não foi nenhuma pessoa conhecida e renomada, nenhum ícone ou personagem famoso, foi um homem comum e um “soldado anônimo” na luta contra a crueldade que eram tratados os animais, no entanto sua vida e morte inconscientemente ajudou na grande e transformadora mudança que ocorreu neste ultimo século. Tudo o que está descrito até aqui não causa mais nenhum espanto, não é mais nenhuma novidade, hoje neste século – dez/2013, a postura sensível e doce do meu pai frente aos bichos não é mais solitária, exclusiva ou única, tornou-se natural e a coletividade responde de forma genuína como meu pai a 60 anos atrás fazia, tornou-se normal as pessoas se condoerem frente a um cão de rua maltratado e sarnento, comum na TV assistirmos emocionados o salvamento pelo bombeiros do cãozinho se afogando ou soterrado. Os estilingues tornaram-se objetos bizarros do século passado. Já o mesmo não se pode dizer dos revolveres que hoje são vistos inclusive como “inocentes” frente às sofisticadas armas futuristas que nossas crianças habilmente manipulam, são presenteadas e divertem-se com a brincadeirinha de “matar” o outro ser humano, igualzinho a si mesmo - no entanto, tudo se passa no imaginário da criança, é nada, se for comparado à realidade de matar de fato um alegre, meigo e inocente pássaro.
Se formos nos ater à Teoria do Inconsciente Coletivo de Carl G. Jung, podemos intuir e deduzir que “nossas vidas possuem uma direção, um sentido individual, o qual tem a propriedade de acrescentar, engrossar ou ainda transformar o grande mar do inconsciente coletivo no qual estamos todos mergulhados. Como a aranha que tece através da saliva suas teias, nós todos em nosso silêncio e sofrimento pessoal tecemos com nossas lágrimas e em nossa alma, a grande alma cósmica do mundo, a evolução e transformação do inconsciente coletivo, como diz a musica “Redescobrir” do Gonzaguinha: “tudo principia na própria pessoa”. Exemplo vivo e recente disso foi Nelson Mandela, seu sofrimento foi principalmente tecido em seus solitários dias nos 27 anos de prisão que foi submetido. Sua vida – o sentido dela era a completa e total indignação quanto à discriminação do ser humano por outro ser humano em função de alguma diferença, ditado pelo preconceito racial, onde uma minoria branca governava discriminatoriamente a maioria negra de seu país. Quando indagado, respondeu que se necessário fosse morreria por esta causa, fim do apharteid - igualdade absoluta de todo ser humano independente da cor, a completa total e consciente não discriminação do outro, seja ele quem e como for.
Meus pais tiveram em algum momento da vida um aviário – o que era motivo de muita briga, afinal para um defensor da vida e do não sofrimento dos bichos, era uma incongruência engrossar a entrada financeira com o pagamento da Perdigão e da Sadia, criando os pintinhos amarelinhos, lindinhos que recém-nascidos chegavam ainda com a casca grudada na cabeçinha formando um mar de pintinhos, mais ou menos, em torno de um quarteirão para em 40 dias serem abatidos. Eram lindinhos de se ver, no entanto, quando entre eles, aparecia um estranho, um diferente – um pintinho de angola, ou um pintinho caipira aqueles docinhos amarelinhos simplesmente abriam espantados uma arena circular se afastando e em seguida, em conjunto todos voltavam e atacavam o pobre infeliz, matando aquele diferente deles. Portanto deduzimos que a discriminação é reflexa, instintiva, animal, próprio do irracional.
Somente extinguiremos a discriminação pela consciência, quando tomo consciência que tenho tal preconceito, quando vivo na própria pele a discriminação que o outro me impinge, aí paro para “pensar” e reflito sobre a bestialidade dos preconceitos – discriminação.
Mandela viveu a dor da discriminação na pele e teceu em sua vida e morte (dentro de sua alma), uma luta no sentido de ampliar e transformar a consciência de cada um de nós, a vida dele foi consagrada à imortalidade. Com a sua morte nasce um novo arquétipo, portanto, surgiu uma nova estrela em nosso céu. Mandela atendeu e cumpriu completamente “para que veio”. Assim sendo, sua vida tecida com muito sofrimento foi consagrada no inconsciente coletivo obtendo uma maior consciência quanto à qualquer tipo de discriminação do outro, a causa nobre dele foi em relação ao racismo mas podemos deslocar para toda discriminação e preconceitos em geral: cor, etnia, religião, gênero ou alguma outra peculiaridade diferente, como por exemplo entes discriminados na própria família pelo poder aquisitivo (pobreza), separados ou divorciados, filhos adotivos, filhos bastardos – fora do casamento, efeminados etc...etc.....
Assim sendo, perdemos o Homem exemplar Mandela mas ganhamos seu espírito - agora fundido dentro de cada um de nós.
Abaixo, veja uma experiência de discriminação com crianças em uma escola do Canadá. http://youtu.be/F
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Medica falando sobre cuidados paleativos
Em Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2013 13:20, Helena Fontes escreveu:
Mulheres está tão lindo esse vídeo! Eu a conheci na Palas Athena qdo ela foi dar uma palestra sobre o trabalho dela como médica Geriatra. Reservem 15 minutos para ver, vale a pena. bjs Helena
A Morte é Um Dia Que Vale A Pena Viver - por Ana Cláudia Quintana Arantes (Vídeo)
“Por um lado, aliviar a dor e o sofrimento de doentes e familiares. Por outro, resgatar a biografia de pacientes. Esse é o exercício diário de Ana Claudia Quintana Arantes, médica formada pela FMUSP e especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto. Foi a responsável pela implantação das políticas assistenciais de Avaliação da Dor e de Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein e é sócia fundadora da Associação Casa do Cuidar. Atualmente trabalha em consultório e como médica assistente do Hospice do Hospital da Clinicas da FMUSP, na Unidade Jaçanã.”
Veja esse vídeo: http://youtu.be/ep354ZXKBEs
Mulheres está tão lindo esse vídeo! Eu a conheci na Palas Athena qdo ela foi dar uma palestra sobre o trabalho dela como médica Geriatra. Reservem 15 minutos para ver, vale a pena. bjs Helena
A Morte é Um Dia Que Vale A Pena Viver - por Ana Cláudia Quintana Arantes (Vídeo)
“Por um lado, aliviar a dor e o sofrimento de doentes e familiares. Por outro, resgatar a biografia de pacientes. Esse é o exercício diário de Ana Claudia Quintana Arantes, médica formada pela FMUSP e especialista em Cuidados Paliativos pelo Instituto Pallium e Universidade de Oxford, além de pós graduada em Intervenções em Luto. Foi a responsável pela implantação das políticas assistenciais de Avaliação da Dor e de Cuidados Paliativos do Hospital Israelita Albert Einstein e é sócia fundadora da Associação Casa do Cuidar. Atualmente trabalha em consultório e como médica assistente do Hospice do Hospital da Clinicas da FMUSP, na Unidade Jaçanã.”
Veja esse vídeo: http://youtu.be/ep354ZXKBEs
Assinar:
Postagens (Atom)
Seguidores
SEJA BEM-VINDO!

Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.Onde leva? Não perguntes, segue-o!
Nietzsche