Caso Isabella - Violência doméstica, volta a ocupar a mídia da semana,
Em 06/abril/2008, observando a comoção nacional que este drama despertou, escrevi o que segue:
Todo
o Brasil esteve nestas 2 últimas semanas impactado com a possibilidade
de um filicídio, ou seja, a possibilidade do pai (ou) e da madrasta de
uma criança de 6 anos tê-la assassinado. Ainda não se tem as provas
finais, porém ficou e está no imaginário da população brasileira este
horror, esta monstruosidade.
Nos perguntamos: - o que leva uma pessoa a tal comportamento? O que se passa na questão da violência doméstica?
O
patricídio e o filicídio sempre existiram na história, porém quando,
hoje em dia, com tantos recursos à nossa mão, à nossa disposição, ainda
vemos pessoas de classe média, de nível escolar bom, intelectualmente
preparadas, cometerem um ato absurdamente bestial, onde perdeu-se o
côntrôle total, onde impulsivamente cometeu-se atitudes covardes de
levar até as últimas consequências
(morte), uma inocente e indefesa menina de 6 aninhos, ficamos
perplexos e aterrorizados!
Quando
os autores de crimes passionais, aqueles que matam a família ou os
pais, ou aqueles que matam suas companheiras ou o seu contrário, quando
indagados sobre o que os levou a tal atitude insana respondem que uma
força externa os tomou e que uma vez possuídos por esta força
externa, cegos, eles então, praticaram tal ato de violência. Vejam que o
mal fica projetado para o externo, para fora do sujeito.
Também
as tribos indígenas, arcaicas, em seu primitivismo natural projetam no inimigo, na tribo vizinha, em épocas de conflito, seus pavores e inseguranças, acreditando que o mal está no outro, portanto
ao guerrear com o inimigo e trazerem como troféu seu couro capilar ou
partes do seu corpo como o coração para todos na tribo comerem
canibalisticamente, eles acreditam que adquiriram a
força do outro, introjetando, mastigando o poder que até então morava
na psique do outro, realizando concretamente numa projeção maciça e cega
questões da subjetividade (do não concreto).
Hoje, em nossa civilização observamos não estarmos tão distante assim dos
primitivos, haja vista as diversas igrejas atribuírem ao externo, ao
satanás ou alguém equivalente as questões do mal, também projetando fora
do sujeito os sentimentos e emoções negativas.
Segundo
Jung, as sombras, a parte inconsciente escura habita a nossa psique,
onde o que se manifesta como "o mal", não está longe, lá distante de nós
e sim dentro de todos nós, habita nosso inconsciente. Conforme Cristo
falou: ..."Saiba sua mão direita (para quem é destro) o que se passa com sua mão esquerda (aquela que você não governa)"..., ou ainda...."Orai e
vigiai" - entendendo-se estas frases não como algo externo a nós
(diabo), mas sim, ..."conscientemente vigie seus pensamentos e
seus sentimentos (intra psíquico, dentro de si)"...
Projetando, que a violência, a agressividades está distante de nós, no outro, quem
sabe até mesmo, apenas no pai e na má-drasta desta pobre menininha, primitivamente
ficaremos à mercê do mal (sombra) que está solta, livre da consciência,
dentro do nosso inconsciente, levando vez por outra, alguns de nós, cidadãos absolutamente bem intencionados, seres comuns a
atuar, ou seja, a fazerem o acting-out, "atuação inconsciente" - concretiza. Neste
caso, a violência doméstica atua, realiza o que estava na base do inconsciente,
independente da vontade (ou da força de vontade) do individuo.
Caso,
de fato, fique comprovado que ocorreu um filicídio, lamentamos profundamente: - que lástima pois lá se vai mais de uma década do ano 2000 e dispomos hoje de diversos e fortes recursos na área da psique. Se este pai houvesse se submetido a uma análise ou tratamento psicoterápico para resolver seus
conflitos, principalmente ao que tange à ex esposa Ana Carolina e sua atual esposa - vejam só a coincidência do registro inconsciente, que também chama-se Ana Carolina,
bem como, ao fruto da primeira união que era a filhinha Isabella, certamente ele deixaria no
setting terapêutico os seus ódios, rancores e conflitos, e provavelmente teria grande chance do ocorrido, da dança macabra e diabólica do conflito inconsciente não ter vindo à tona, não ter se concretizado.
Norma I. C. Melhorança
CRP nº 08/02740
Atende em consultório no Itaim Bibi e em Perdizes em SP
e também em Curitiba - PR cel: 011-98748-7554

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