sábado, 10 de abril de 2010
Verso de Deus
Meu amor dormia
lá na cama dos agoras
e eu levantei pra fazer versos
(coisa minha ou de meus obscuros)
A verdade é que antes saía sempre
sorrateira, sem amarrotar lençol
sem afundar colchão, sem acender a luz
ia eu silenciosa, platinum plus,
fazer a barba que crescia
aparar o bigode da poesia
deter a grama, podar a árvore
limpar o campo pra que
pastassem melhor os verbos
ia escondida, camisola arastando
rastros feito traição
No escuro procurava caneta,
papel branco sem letra
eu tentando enxergar com a mão.
Agora não
onde dorme meu amor
dorme também meu irmão
No quarto invadido de tesão e cheiro,
o que ressona confiante
é meu parceiro.
E eu levanto sem clandestinidade
sem leviandade eu canto baixinho
porque a poesia quer sair.
Na cama não dorme agora
um vigia, um delator, um fragrador
da inspiração madruguenta
Quem dorme não se ausenta
nem será amanhã
alguém que se aborreceu.
Dorme ali um verso, lindo verso
não um verso meu
dorme o verdadeiro gesto
o verdadeiro verso
que Deus me deu.
O "nós" ansiado pelas mulheres (no mais recôndido de sua alma).Representação poética de Elisa Lucinda do desejo feminino quanto ao tipo masculino que se anseia encontrar para formar o par, a parelha.
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Ninguém pode construir em teu lugar as pontes que precisarás passar, para atravessar o rio da vida - ninguém, exceto tu, só tu.Existem, por certo, atalhos sem números, e pontes, e semideuses que se oferecerão para levar-te além do rio; mas isso te custaria a tua própria pessoa; tu te hipotecarias e te perderias.Existe no mundo um único caminho por onde só tu podes passar.Onde leva? Não perguntes, segue-o!
Nietzsche